segunda-feira, 18 de outubro de 2010

RECICLAGEM DE PAPEL

O papel é um material de suporte da informação escrita que produz fortes impactos negativos sobretudo ao nível da produção. 

De facto, embora a matéria prima se possa considerar renovável - a madeira, proveniente das árvores - a sua produção conduz normalmente a extensas monoculturas de espécies exóticas - como o eucalipto em Portugal, e diversas resinosas na maior parte da Europa - que têm como consequência o desaparecimento da quase totalidade da fauna e da flora nativas. Este efeito está relacionado não apenas com as espácies utilizadas mas também com o regime de cultivo: plantações densas, revolução de curtas e lavagem de solos de montanha débeis.

As plantações de árvores para pasta de papel são, no Distrito de Aveiro, um pouco por todo o Litoral Norte e Centro de Portugal e mais recentemente, e com consequências mais graves, também no interior, a principal causa de desaparecimento do coberto vegetal natural, e com ele, de animais de todas as espécies. 

Igualmente significativa é a degradação da paisagem, pela via da uniformização, e a perda do seu carácter e da sua especificidade (biodiversidade). 

É um drama em larga escala, que os interesses económicos encobrem, e que a falta de sensibilidade e de atenção da generalidade dos cidadãos tende a ignorar.

A reciclagem do papel é um procedimento que permite recuperar as fibras celulósicas do papel velho e incorporá-las na fabricação de novo papel. Não é um processo isento da produção de resíduos, mas a produção de pastas virgens também não o é, e assim sempre se minimizam os problemas relacionados com a produção de matéria prima e com a deposição do papel velho.

É importante realçar que os papéis não podem ser reciclados indefinidamente sem que haja perde de qualidade. Após cada utilização, eles perdem parte das suas propriedades e só podem ser reciclados para uso distinto, e um pouco menos nobre, do que o original.

Se se olhar com cuidado e bem de perto para uma folha de papel vai-se perceber que o papel é feito de inúmeras fibras que se cruzam. São elas que lhe dão resistência. 

Dependendo do tipo de polpa que é usada para fazer o papel (pode ser pinho, eucalipto ou até outras fibras vegetais como algodão, linho, etc.) ele vai ter fibras mais longas ou curtas e vai ser mais ou menos resistente. 

Por isso papel branco é mais caro e inclusive a apara (resto de papel) branca também alcança maior valor no mercado

E cada vez que se recicla diminui o tamanho das fibras e ele fica um pouco mais fraco. Por isso que para reciclar muitas vezes o mesmo papel, deve-se colocar um pouco de fibra virgem para aumentar a sua resistência.

Um outro problema são os pigmentos presentes no papel. 

Para fazer papel branco a polpa (de fibra virgem ou papel já usado) deve passar por um processo químico de branqueamento. Por isso quanto mais pigmento um papel tem, mais difícil fica reciclá-lo e conseguir a partir dele um papel branco. 

Na realidade o ideal seria que mudássemos alguns dos nossos hábitos

Por que necessitamos de um papel tão branco, muitas vezes para uso tão simples (rascunho, caderno de anotações, etc). 

E ainda, por que precisamos de produtos e embalagens de papel tão coloridos e cheios de pigmentos muitas vezes tóxicos, que de uma forma ou de outra vão acabar no ambiente, caso sejam sendo reciclados ou não? 




O papel é um material biodegradável e orgânico, mas em caso de aterros com pouca humidade o processo de degradação se torna lento, chegando a demorar de 3 meses a 100 anos para se decompor.

O Que Podemos Fazer pela Reciclagem do Papel?



Para a reciclagem ser possível cabe ao utilizador - a todos nós - fazer uma selecção correcta dos papeis recicláveis e uma selecção correcta significa essencialmente separar os papeis de outros materiais com os quais possam estar associados - como plásticos por exemplo - e que perturbam o processo de reciclagem. 

Pelo mesmo motivo, papéis indissociavelmente ligados a outros materiais como as e as embalagens aluminizadas devem ser excluídos. 

Caso se justifique, isto é, em locais onde se produz muito papel usado, pode ter interesse uma separação de diferentes tipos de papeis: papeis quase brancos e impressões de computador para um grupo, papeis de jornais e revistas para outro, e cartões para outro.
Esta separação valoriza o papel-resíduo e permite obter pastas recicladas de melhor qualidade

Economizando árvores

 

Um dos principais argumentos para a reciclagem de papel é a redução dos impactos danosos ao meio ambiente e entre eles está a diminuição do uso de árvores para a produção do papel. Uma tonelada de aparas (papéis cortados para a reciclagem) pode substituir o corte de 15 a 20 árvores, dependendo do tipo de papel que será produzido, segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Outro argumento é que haveria uma redução da energia elétrica para a produção de papel com a reciclagem. A porcentagem de economia, no entanto, pode variar muito já que há empresas de papel e celulose com eficiente autogeração de energia, enquanto algumas empresas de reciclagem acabam usando métodos mais convencionais de obtenção de energia.

Há também o argumento que na produção de papel reciclado há uma economia de água. 

Nesse caso, também não há um número exato da economia. Há fontes que falam em 10 mil litros de água a menos por tonelada produzida, mas há também quem chegue a falar em cerca de 100 mil litros. 

De qualquer modo, cerca de 40% do lixo urbano no mundo é composto de papel. Sua reciclagem ajuda a evitar o desperdício. 


Como se produz um papel reciclado

Antes de entrar propriamente na discussão sobre o processo de produção do papel reciclado é preciso saber quais os papéis que podem ser reciclados e quais não existe forma de reciclar.

Os recicláveis são:

• Papelão
• Jornal
• Revista
• Papel de fax
• Papel-cartão
• Impressos em geral

Não são recicláveis:

• Fitas adesivas
• Fotografias
• Papel carbono
• Etiquetas adesivas
• Copos descartáveis

Produzir o papel reciclado é muito semelhante à produção de papel comum após a entrega da celulose. É preciso moer, molhar, criando uma massa que lembra o papel machê, prensar, tingir e secar o papel. A principal diferença está na necessidade da utilização de vários produtos químicos para retirar as impurezas do papel como tintas e colas, o que, para alguns críticos, pode ser também perigoso para o meio ambiente, se não for feito de maneira correta. Veja um processo básico de reciclagem de papel. 



Nem sempre totalmente reciclado

Dependendo do tipo de papel, apenas a massa do papel reciclado é insuficiente para garantir resistência e durabilidade no novo papel, assim, as indústrias acabam tendo que incluir celulose virgem durante o processo. Aliás um papel pode ser reciclado de sete a dez vezes, depois as fibras já não terão força suficiente. Um exemplo de papel com pouca fibra são os papéis higiênicos.

Atores sociais da reciclagem

Como os outros tipos de reciclagem, a do papel envolve diversos atores econômicos diferentes. Os consumidores de papel em geral (casas, escritórios, lojas etc.) entregam os jornais velhos, as caixas vazias, os cadernos cheios e os panfletos que ninguém lê para intermediários como catadores, cooperativas de catadores de lixo e sucateiros. Esses separam o material, de acordo com as normas de reciclagem, e entregam para os aparistas. 

Esses são os responsáveis por preparar o material para as fábricas de reciclagem, picando o papel e criando fardos que chegam nas fábricas. Mas você também pode fazer o seu próprio papel reciclado.

Hoje em dia é comum ver documentos e publicações com o papel reciclado, facilmente identificado a olho nu. São normalmente papéis bege, que lembram a tonalidade de uma madeira clara, com várias pequenas ranhuras em toda a superfície. O que pouca gente sabe é que o papel reciclado industrial não precisa ter esse aspecto. Esse pode ser tão branco e limpo como qualquer papel feito de fibras virgens. Mas como o mercado quer transparecer consciência ecológica, o papel reciclado tem que ter uma cara “de segunda mão”.

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